Meu silêncio nunca esteve à venda, diz Cunha em depoimento à PF

O ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) disse nesta quarta-feira (14) à Polícia Federal que seu silêncio "nunca esteve à venda", segundo o advogado Rodrigo Sánchez Rios. "Ele nunca foi procurado por ninguém para falar a respeito", disse o defensor.

A PGR (Procuradoria-Geral da República) afirma que um diálogo entre Temer e um dos donos da JBS, Joesley Batista, mostra que o presidente teria dado autorização para que o empresário comprasse o silêncio de Cunha para que o ex-deputado não fechasse um acordo de delação premiada.

"O deputado ressaltou mais uma vez, de forma firme, que o silêncio dele nunca esteve à venda. Nunca procuraram ele, nem o presidente Temer nem interlocutores próximos ao presidente, para comprar o silêncio do deputado. Ele refutou todas as perguntas relacionadas a esse fato, negou categoricamente", falou Rodrigo Sánchez Rios, na saída do depoimento. "Com relação aos pagamentos para ele, sim [Joesley mentiu]."

Rios, entretanto, não negou que o deputado cassado tenha se encontrado com os irmãos Batista, donos da JBS. "Quem nesse país nunca se encontrou com eles, entre os políticos?", questionou. O ex-deputado, preso preventivamente desde outubro de 2016 e já condenado na Lava Jato, depôs na condição de testemunha, mas também é um dos alvos do inquérito aberto pela PF para investigar se Temer cometeu crimes corrupção, obstrução de justiça e organização criminosa a partir de fatos revelados nas delações premiadas de executivos JBS.

"[Cunha] Aponta [no depoimento] que não conhece a irmã do Lucio Funaro, nem sabe do dinheiro encontrado com ela", afirmou Rios. Ele se refere a Roberta Funaro, que foi presa no último dia 18 em operação da Polícia Federal decorrente da delação da JBS, suspeita de receber pagamentos mensais de R$ 400 mil para não delatar o que sabe.

Lucio Funaro, tido como operador financeiro do PMDB e ligado a Eduardo Cunha e Michel Temer, está preso desde junho de 2016, em Brasília. A prisão da irmã levou-o a considerar a possibilidade de fechar um acordo de colaboração na Lava Jato. Em consequência disso, Cunha também começou a se movimentar para tratar da sua --advogados do deputado cassado temem que, se Funaro delatar, ele ficaria sem ter o que dizer em troca de uma redução em sua pena.

A menção a pagamentos semanais de R$ 500 mil a Eduardo Cunha, mesmo preso, apareceu em gravação incluída na delação do empresário Joesley Batista. Ele gravou uma conversa que diz ter mantido com Temer no Palácio do Jaburu, residência oficial da vice-presidência. "Eu fiz o máximo que deu ali, zerei tudo. O que tinha de pendência daqui pra ali zerou", diz Joesley, na gravação.

Cunha foi condenado a 15 anos de prisão por Moro por participação no esquema de corrupção na Petrobras.

O ex-deputado chegou à superintendência da Polícia Federal, em Curitiba, por volta das 10h, trazido do Complexo Médico Penal, em Pinhais, região metropolitana, onde está preso preventivamente desde o ano passado. O advogado disse que estima que o depoimento de Cunha à PF tenha durado cerca de uma hora e meia.

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